quarta-feira, 11 de abril de 2012

Conheça a 1ª travesti doutoranda do país

Natural do interior do Ceará, professora vai defender tese em julho

Mesmo na infância em Morada Nova, a 163 km de Fortaleza, a discriminação não foi barreira para a cearense Luma Nogueira de Andrade, que nasceu com o nome de João. Filha de agricultores analfabetos, ela resolveu abrir caminhos e enfrentar a pobreza e o preconceito com o conhecimento. Aos 35 anos, Luma será em julho a primeira travesti a apresentar uma tese de doutorado no Brasil. “Canalizei toda a energia para os estudos e, assim, fui conquistando respeito de todos. Busquei no estudo uma alternativa de vida melhor”, diz.

Luma Andrade escreve tese sobre discriminação nas escolas (Foto: Luma Andrade/Arquivo Pessoal)

A doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC) estuda a realidade de travestis nas escolas. Nas páginas da tese, ao relatar casos de estudantes que vivem situações de aceitação ou total repressão, Luma faz um paralelo com a própria história.

A cearense conta que, nas primeiras séries escolares em Morada Nova, chegou a ser agredida por outros alunos por “ser diferente e sempre preferir brincar com as meninas”. “Uma vez, quando cheguei na sala de aula chorando, ouvi da professora: 'Bem feito. Quem mandou você ser assim?' ”, recorda. O menino João não se sentia bem para ir ao banheiro masculino e não podia frequentar o feminino. “Sentia dores abdominais porque preferia não ir ao banheiro. Muitas vezes, saia correndo para casa quando terminava a aula para urinar”, conta.

Em vez de desistir de assumir quem era ou se rebelar, Luma repetia para si mesma: “Eu vou superar isso”. E, assim, foi vencendo o preconceito dos alunos e professores, sendo sempre o destaque da turma. “A estratégia era eu ser a melhor aluna. Eu fazia um acordo, eu ajudava, dava aulas particulares e eles me aceitavam”, diz. Aos 18 anos, quando passou no vestibular na primeira tentativa para o curso de Ciências da Universidade Estadual do Ceará (Ceará), no campus de Limoeiro do Norte, os olhares de reprovação por se vestir com roupas femininas e estar maquiada não diminuíram. “Eu me enganei. Na faculdade, eu sofri tanto quanto na educação básica”.

De cabelos compridos, mas ainda assinando como João, Luma voltou para a sala de aula. Dessa vez, como professora de Ciências da Natureza. “No primeiro dia, os diretores da escola ficaram atrás da porta para observar como eu dava aula”, lembra. Ao contrário do que pensavam, a professora era uma das mais queridas e reconhecidas pelo ensino. “Por entender as dificuldades de ser diferente, eu me identificava muito e me aproximava dos alunos. Muitos deles, de alguma forma, se viam diferentes”, conta.

Em 1998, Luma Andrade passou para concurso de professor efetivo da rede municipal de Morada Nova e também começou a ensinar em escolas estaduais e particulares. Quando passou no Mestrado em Desenvolvimento do Meio Ambiente em Mossoró, no Rio Grande do Norte, apesar de ser vista por colegas de trabalho com “mau exemplo”, não abriu mão de continuar a ensinar e pediu transferência para uma escola de Aracati, município mais próximo de onde estudava.

Com o título de mestre, em 2003, ela prestou concurso para a rede estadual de ensino de Aracati e, de quatro vagas, foi a primeira e única aprovada. Na hora de ser lotada, os diretores disseram que não havia vagas e Luma teve de pedir a intervenção da Secretaria de Educação do Estado (Secult) para assumir o cargo. Em Aracati, Luma passou a dar palestras e aulas de cursinho pré-vestibular e desenvolveu, em 2005, o projeto “Intimamente Mulher” que incentivava alunas e professoras a fazer exames de prevenção. A iniciativa ganhou o primeiro lugar no Estado e Luma recebeu o prêmio no Ministério da Educação.

Mesmo com reconhecimentos e títulos, a educadora continuava encontrando discriminação. Ao colocar próteses de silicone nos seios, a travesti conta que foi enviada uma denúncia à Secretaria de Educação. “Eles diziam que estava mostrando os seios para os alunos, mas provei que não era verdade. Ia até com uma bata para não chamar atenção”. Em 2007, passou em uma seleção e mudou-se para Russas para ser supervisora de 26 escolas estaduais em 13 municípios do Ceará. No cargo, a travesti pode acompanhar e ajudar mais de perto as histórias de outras “Lumas” agredidas na escola ou em casa. “Eu via nelas eu mesma. Toda a dificuldade que passei”.

Mudança de nome
Aos 33 anos, Luma ainda tinha nos documentos o nome de João Filho Nogueira de Andrade. No dia da mulher de 2010, ganhou o presente de ser a primeira travesti a ter o direito de mudar os documentos sem a operação de mudança de sexo no Ceará. 

As histórias de vitórias e de superações que já chamaram atenção de cineasta e políticos não vão parar. Luma não se cansa de seguir e abrir os caminhos em defesa da diversidade humana. “Quero combater todo o preconceito. Cada passo que eu dou, cada degrau que eu subo, sei que estou contribuindo para mudar pessoas e não posso deixar de buscar novos espaços. A própria travesti pensa que não existe outro caminho sem ser a prostituição”, afirma.

Fonte: G1

sexta-feira, 16 de março de 2012

Jovem inglesa fala sobre experiência de mudança de sexo do pai

Tash Ozimek tinha 16 anos quando o pai a chamou para conversar e perguntou qual seria a coisa mais vergonhosa que ele poderia fazer com ela. Depois de pensar por alguns minutos, a adolescente respondeu que ficaria com muita vergonha se ele se vestisse de mulher na frente dos amigos dela. A resposta foi seguida de algum tempo de silêncio, até que o pai disse que era exatamente o que ele pretendia fazer.

John Ozimek, de 54 anos, contou para a filha que sempre se sentiu uma mulher, que estava muito infeliz como homem e pretendia mudar de sexo. Tash caiu em lágrimas e continuou a chorar por alguns dias.

- Meu pai queria conversar comigo sobre o assunto, mas eu não queria falar sobre isso. É a última coisa que você espera ouvir do seu pai - relembrou a jovem, agora com 18 anos.

Segundo Tash, que vive na cidade de Suffolk, na Inglaterra, o pai tinha o jeito bem masculino e ela nem desconfiava dos sentimentos dele. John, consultor de tecnologia graduado na conceituada Universidade de Oxford, costumava vestir calça jeans e não se importava muito com a aparência. Às vezes até paquerava as amigas da filha.

A conversa entre os dois aconteceu há dois anos. Em julho do ano passado, John se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo e passou a viver como Jane Fae. E confessa que estava aterrorizado com a reação que a filha poderia ter.





- Eu acho que toda pessoa envolvida com alguém em processo de transição de gêneros tem uma sensação de perda. Eu me sinto responsável pela minha decisão, tanto pelo lado bom quanto pelo mau. Isso me incomoda, mas ter permanecido homem seria ainda pior para mim - contou a agora Jane.

Antes de tomar a decisão, John vivia com Tash, a mulher Andrea Fletcher, o filho deles de sete anos e a filha dela, de 18 anos. Agora, vivendo como Jane, a relação com Andrea está “progredindo”. Mas os filhos enfrentam os maiores desafios.

- Eu ainda o chamo de pai, porque a palavra representa um papel para nós, e não um gênero. Jane não é minha mãe e eu não vou inventar uma nova palavra só porque perdi meu pai - explica ela em entrevista ao jornal “Daily Mail”.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Jennifer Lopez usa uma Travesti como dublê em gravação de clipe


A gravação do clipe "Follow The Leader", de Jennifer Lopez, contou com um dublê para a cantora. O flagra, que ganhou os tabloides internacionais, mostra que o dublê de J. Lo, é na verdade, uma travesti.

Com roupa e penteados idênticos aos da cantora, o dublê foi escolhido para algumas cenas mais perigosas, já que boa parte do clipe é gravado em coberturas de prédios e outros pontos altos.

Follow the Leader é um clipe da dupla porto-riquenha Wisin Y Yandel para o álbum"Los Lideres", que terá a participação de J.Lo. Casper Smart, namorado da cantora, que coordenou as coreografias do videoclipe.
fonte: Por Te Contei

terça-feira, 13 de março de 2012

Candidata Transexual concorre ao Miss Universo Canadá


Miss Universo Canadá aceitou oficialmente Jenna Talackova, uma transexual, como uma concorrente nas finais programadas em 19 de maio. Jenna já representou o Canadá no Miss Internacional Queen, um concurso de beleza para transexuais. O fato de que ela foi aceita como uma concorrente levantou várias questões éticas e morais, mas para alguns isso é um sinal de igualdade. O Canadá é uma das nações progressistas da terra com uma aplicação muito liberal da sua Lei da Igualdade consagrado na Constituição de 1982.
Mas os fãs e Missologos do mundo miss,  não estão felizes com isso. Eles vêem isso como uma afronta ao estabelecimento desde concursos como o Big4 (Miss Universo, Miss Mundo, Miss Internacional e Miss Terra) são destinadas para as mulheres nascidas naturalmente. Enquanto vimos lésbicas concorrentes em nível estadual como no caso da Miss Califórnia EUA de 2012, a questão atual é muito mais controversa, pois trata-se de uma pessoa nascida como um homem e se converteu em uma mulher, para eles.
Ainda assim, muitos vêem isso como um sinal de igualdade e de liberdade. Afinal, Jenna é legalmente uma mulher.Os defensores dizem que trata-se de alguém que perseguir seu sonho e não devem ser discriminadas.
Qual é a sua opinião sobre isso? É este um golpe publicitário? Uma questão de igualdade e liberdade? Ou uma transgressão à santidade das instituições concurso de beleza?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ex-BBB Laisa diz fará uma participação como travesti em Zorra Total

Ela será Laiso no quadro Metrô Zorra Brasil




Nesta terça-feira (28) a ex-BBB Laisa falou em seu Twitter que vai participar de um episódio do programa humorístico Zorra Total, da TV Globo, onde interpretará o travesti Laiso no quadro Metrô Zorra Brasil.

“Boa noite, amores tenho uma noticia para vocês,  vou participar do Zorra Total como travesti "Laiso" Vou atuar no quadro "Metrô Zorra Brasil", ao lado das personagens Valéria e Janete!”, contou a ex-sister em seu microblog. (AR)

fonte: Contigo! Online

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A primeira vez de Rogéria


Em nossa retrospectiva de Carnaval, não poderíamos deixar de citar Rogéria, que, por incrível que pareça, pisou pela primeira vez na mais tradicional festa carioca, o Baile do Copacabana Palace, no último sábado (18). “Eu era uma bichinha que se vestia de mulher e não dava para vir ao Copa. Depois comecei a trabalhar e nunca podia. Mas tudo tem a sua hora e ‘assim estava escrito’, como naquele filme de Vincente Minnelli (ela adora citar clássicos do cinema para escrever o roteiro da sua vida), que eu tinha que conhecer em 2012, logo com o tema ‘rainhas’, é claro!”, dizia ela, que se vestiu toda de preto e caprichou nos acessórios, com direito a coroa na cabeça e tudo. “Amei a festa. Minha entrada foi gloriosa, tive que parar com todo mundo para tirar fotos. Isso que é sucesso darling: você não está pagando ninguém para estar na mídia. É o reconhecimento do público que não pode pagar para estar aqui”, reflete.
E entre os salões do imponente hotel não foi muito diferente e o beija-mão foi intenso. “A coisa mais gostosa é vir parar no meio de mulheres ricas, que dizem que me amam e ainda pedem para eu tirar foto com os maridos delas. Isso é o máximo. Só com Rogéria acontece isso, se fosse outra travesti elas não deixariam”.
fonte: revista epoca

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Transexuais e Travestis retorna a passarela na semana da moda em Bogotá

O desfile, conhecido como Bogotrans, tornou-se uma obrigação, e esperado, na maior feira de moda em Bogotá.
  • Modelos Transgêneros desfila criações do design Salim Kadamania durante o desfile "Bogotrans" no âmbito da Semana da Moda Quarta Internacional, em Bogotá, Colômbia. Foto EFE
Um grupo de transexuais modelos, travestis e transformistas, como de costume, voltou as passarelas de Fashion Week, em Bogotá, em um dos desfiles que reúne mais adeptos  na feira.
O desfile, conhecido como Bogotrans, tornou-se uma obrigação, e esperado, na maior feira de moda em Bogotá, em que as tendências do grupo mostram para o outono e inverno.
"É um sinal de inclusão, uma mensagem clara de que as mulheres transexuais podem estar em qualquer espaço, como na moda, que tradicionalmente nunca tinha sido aberto à sua participação", disse Tatiana Piñeros ,  transexual e Secretaria de Inclusão Social no gabinete do prefeito de Bogotá.
Sem poder escapar dos clichês que cercam o grupo, as modelos, maquiadas, usava desenhos disjuntores Kadamani Salim,  sapatos de salto e perucas na cor preto metálico.
"No começo (Bogotrans) parecia mais dificil, as pessoas imaginavam que estavamos saindo e chegando alocadísimas modelos só isso, mas gradualmente, ao longo dos anos, têm vindo a perceber que as modelos são como qualquer outra mulher " disse Piñeros.
As modelos trans marcharam para os compradores e curiosos, desenhos de cores frias e opacas, mostrando suas pernas longas e vestidos soltos e saias na região do quadril.
Ao realizar este desfile como parte da quarta edição da Semana de Moda de Bogotá, um evento patrocinado pelo Ministério de Desenvolvimento Econômico do prefeito de Bogotá, a  capital da Colômbia, se destaca como um dos pioneiros na inclusão deste grupo, que é muitas vezes estigmatizado socialmente.
"Bogotá tem uma política pioneira pública, tem mostrado sinais de inclusão real, e uma vez que a instituição está comprometida com as pessoas transexuais são introduzidas em diferentes espaços, a moda é um deles, mas também na administração pública, onde mulheres transexuais já estão trabalhando ", disse o secretário para a Inclusão Social.
"Que haja uma política pública de apoio ao reconhecimento de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) desde, pelo menos, sabem que têm direitos e ferramentas para a discriminação", disse Piñeros.
Apesar das políticas públicas avançadas sobre os direitos das pessoas que estão detidas em Bogotá, Tatiana Piñeros reconheceu que a política deve se estender a toda a cidade "não é o mesmo ser LGBT ou Usaquén Chapinero estar em Ciudad Bolívar."
Enquadra-se no Salão Futuro da Colômbia mostram, além de seu disjuntor alvo, Bogotrans é também uma vitrine para jovens designers que saem da Fundação Universidade da Área Andina, os autores das criações usadas pelas modelos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

No Carnaval, campanha de prevenção à Aids inclui pôster para travestis e transexuais



A campanha de prevenção à aids no carnaval 2012 traz um pôster inédito direcionado ao público travesti. Pela primeira vez, o Ministério da Saúde produziu uma peça específica para travestis durante a folia. 
O material apresenta uma foto de duas pessoas abraçadas, sendo que uma delas é travesti. Nos outros dois cartazes da campanha, há um casal de homens gays e um casal heterossexual. O lema da campanha é: ‘Na empolgação pode rolar de tudo. Só não rola sem camisinha. Tenha sempre a sua’.
Para a coordenadora do Instituto Cultural Barong, Marta McBritton, a campanha é realista. “A campanha trabalha com as possibilidades que existem”, disse a coordenadora, que desenvolve projetos nas ruas de São Paulo para a prevenção à doença entre jovens, adultos e travestis.
Elas espera que os cartazes não fiquem restritos somente aos hospitais e postos de saúde, mas sejam afixados em bares, restaurantes e locais com grande concentração de pessoas. “Com certeza vai ter um estranhamento, mas isso faz parte da vida. A campanha é para despertar o debate”, acrescenta a coordenadora, que acompanhou o lançamento dos pôsteres no último dia 2.
O público-alvo da campanha é o jovem gay de 15 a 24 anos. No período de 1998 a 2010, os casos de aids entre os heterossexuais nessa faixa etária caíram 20,1%. Na contramão, a incidência da doença cresceu 10,1% entre os gays da mesma idade, conforme dados do governo federal divulgados no final de 2011. Atualmente, para cada grupo de dez heterossexuais vivendo com aids existem 16 homossexuais de 15 a 24 anos. Em 1998, a proporção era de dez para 12.
Uma pesquisa do Ministério da Saúde, apresentada em 2010, revelou ainda que os jovens gays e homens que fazem sexo com homens (HSH) usam menos preservativo nas relações sexuais em comparação à população masculina em geral. Na época da divulgação do estudo, 34,6% dos homens haviam usado preservativo com os parceiros fixos no último ano, contra 29,3% dos jovens gays e HSH. Com os parceiros casuais, o percentual de uso da camisinha também é menor entre os jovens homossexuais, 54,3% ante 57% registrados na população masculina em geral.
Antes do carnaval, a campanha, com cartazes e mensagens veiculadas no rádio e televisão, vai alertar para o uso da camisinha. Após a festa, no final do mês, a ideia é chamar os foliões a fazer o teste rápido da aids, que dá o resultado em menos de 20 minutos.
O teste rápido estará disponível em pontos espalhados pelas festas carnavalescas nas seguintes cidades: Salvador, Olinda (PE), Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Belo Horizonte, Diamantina (MG) e São Paulo.
O Ministério da Saúde irá repassar 70 milhões de preservativos aos Estados. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dia da Visibilidade Trans acontece no Metrô Sé em São Paulo

Em evento na Estação Sé do Metrô de São Paulo, travestis e Transexuais exigem visibilidade e respeito




O evento fez referência ao Dia da Visibilidade de Travestis e Transexuais, celebrado em 29 de janeiro, mas que em São Paulo ganhou destaque nessa segunda-feira com o propósito de atingir o grande número de pessoas que circulam pela estação Sé do metrô.
O evento fez referência ao Dia da Visibilidade de Travestis e Transexuais, celebrado em 29 de janeiro, mas que em São Paulo ganhou destaque nessa segunda-feira com o propósito de atingir o grande número de pessoas que circulam pela estação Sé do metrô.

A Drag Queen Renata Perón cantou sucessos de Noel Rosa e Ivete Sangalo, mas foi o refrão “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, da música Pais e Filhos, da Legião Urbana, que mais emocionou a plateia e fez sentido aos participantes do ato. 

O evento foi uma iniciativa da Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo, por meio da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual.



Uma das principais dificuldades lembradas pelas travestis presentes no evento foi a falta de opções de trabalho. “Sempre fecham as portas para nós porque somos travestis. Muitos empregadores não querem nem saber se temos qualificação profissional”, relatou Bianca Mahafe, formada em auxiliar de administração, mas atualmente “profissional do sexo para sobreviver”, como define.

O Presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Sérgio Avelleda, também participou da ação. Ele foi questionado se o órgão contrataria travestis para trabalhar no metrô. “Já tivemos uma jovem travesti trabalhando conosco, ela participou do programa Jovem Cidadão. Os funcionários do metrô são concursados, por isso qualquer pessoa pode ser contratada, independente da orientação sexual, cor ou classe social. Ela só precisa estar qualificada para exercer a função”, disse.



O cartunista da Folha de S.Paulo Laerte Coutinho também esteve no evento e falou sobre a importância da luta pelos direitos humanos. Na semana passada, Laerte, que se veste de mulher há três anos, foi à Justiça para ter o direito de poder frequentar também o banheiro feminino.






Fonte: Talita Martins
http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=18476

sábado, 28 de janeiro de 2012

Delegacias incluem nome social de travestis e transexuais em ocorrências

Rio - A chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, vai anunciar, na próxima segunda-feira, a inclusão do nome social de travestis e transexuais nos registros de ocorrência das delegacias. A ação, que integra conjunto de medidas do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, proporcionará a composição de dados oficiais sobre homicídios e outros crimes praticados contra travestis e transexuais – população que mais sofre com a discriminação.
 
Atividades também serão realizadas em todo o Estado do Rio para celebrar o Dia Nacional da Visibilidade Trans, uma das datas mais importantes da comunidade LGBT. A Superintendência de Direitos Individuais Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e ONGs realizarão atividades para celebrar a data, como seminários, jornadas, exibição de filmes e espetáculos.
 
"É importante lembrar que a comunidade de travestis e transexuais é a mais atingida pela intolerância e o ódio. Elas são xingadas, violentadas e carregam um estigma criminoso que deve ser revertido. Neste dia queremos esclarecer que travestis e transexuais também são cidadãs e possuem seus direitos, como todos nós", disse o superintendente e coordenador do Programa Estadual Rio sem Homofobia, Cláudio Nascimento.




Estado reconhece outros direitos de travestis e transexuais
 
Em 8 de julho de 2011, o governador Sérgio Cabral assinou o Decreto 43.065, que dispõe sobre o direito ao uso do nome social por travestis e transexuais na administração direta e indireta do Estado do Rio de Janeiro. Um dos destaques da justificativa para o decreto foi que as políticas governamentais devem se orientar na promoção de políticas públicas e valores de respeito à paz, à diversidade e a não-discriminação por identidade de gênero e orientação sexual.

Siga o exemplo restante do Brasil e principalmente o meu estado de nascimento, São Paulo...

Murilo Armacollo: "Tomei um susto quando me vi caracterizado de mulher"

Murilo Armacollo: "Tomei um susto quando me vi caracterizado de mulher"

Em entrevista ao iG, ator fala sobre o desafio de interpretar um transexual na minissérie "O Brado Retumbante"

Gustavo Mause, especial para o iG Gente 27/01/2012 13:01

Murilo perdeu 15kg em 15 dias para viver a transexual Julie
A estreia de Murilo Armacollo na TV não poderia ser mais difícil - e também polêmica. O ator paranaense, de 24 anos, que participou de “Hairspray”, de Miguel Falabella, e de outros musicais como “Aladdin”, “Cabaret” e “New York, New York”, interpreta Julie, o filho transexual do presidente Paulo Ventura (Domingos Montagner) na minissérie “O Brado Retumbante”, da Globo, que termina nesta sexta-feira (27).
A produção da minissérie tratou a personagem de Murilo como um trunfo. O ator não participou da coletiva de imprensa para divulgar o trabalho, e o elenco evitou dar muitos detalhes sobre Julie. A espera valeu a pena: Murilo surpreendeu e apareceu irreconhecível na pele do transexual. O próprio ator ficou surpreso quando se viu caracterizado. “Tomei um susto. Fiquei a cara da minha irmã. Só que moreno, porque ela é loira”, contou Murilo em entrevista ao iG.
Murilo também contou como está sendo a reação das pessoas nas ruas, o que ouviu dos transexuais sobre sua interpretação e como se preparou para viver a personagem: ele abandonou a academia, fez uma dieta rigorosa e conseguiu perder 15kg em 15 dias, além do laboratório com uma transexual, que o ajudou a entender a cabeça dessas pessoas e os problemas pelos quais elas passam.
Confira a entrevista:

Foto: Divulgação/TV Globo
Murilo Armacollo e Maria Fernanda Cândido em cena de "O Brado Retumbante"
iG: Como você conseguiu o papel de Julie na minissérie?
Murilo Armacollo: Fiz um teste na Globo há muito tempo. Fiquei esperando, e de repente, me chamaram. Alguém viu o meu cadastro, gostou, e uma semana depois eu já estava fazendo a caracterização para a personagem.
iG: Era um desejo seu trabalhar em televisão?
Murilo Armacollo: Assim como fazer cinema, trabalhar na TV sempre foi um grande objetivo. Faz parte do nosso mundo, dos atores. Fazer algo grande, para a massa, é uma grande realização.
iG: Como você se preparou para o papel? Fez algo para ficar com o corpo menos masculino? 
Murilo Armacollo: Quando começamos a fazer os testes de figurino, me olhei no espelho e me achei grotesco. Então resolvi fazer uma dieta de proteínas rigorosa durante 15 dias. Deixei a musculação de lado e comecei a correr 20km todos os dias. Acabei conseguindo perder 15kg em 15 dias. Logo em seguida, comecei a fazer laboratório. Estudei bastante e pesquisei como era o psicológico dessas pessoas. Também assisti a vários filmes com o tema. Como queria fazer uma personagem bem feminina, sem cair no caricato, vi filmes da Marilyn Monroe, que foi um grande símbolo sexual, que inspirou muitas mulheres. 
iG: Você conversou com algum transexual durante essa preparação? 
Murilo Armacollo: Fiz laboratório com uma transexual que me ajudou muito. Ela me explicou como era viver assim, desde a infância, passando pelo entendimento com a família, até a preparação para a cirurgia de mudança de sexo.
iG: Ouviu alguma história chocante, que tenha te marcado? 
Murilo Armacollo: Todas as têm histórias de preconceito muito fortes. São agredidas verbalmente - e fisicamente também - diariamente, na rua, e às vezes dentro da própria casa. O que mais me chocou foi descobrir que elas não conseguem arranjar emprego. Às vezes até conseguem oportunidades de estágio, mas quando vão ser contratadas, o empregador vê que elas não fizeram ainda a cirurgia, olham os documentos, e não contratam. Dão desculpas para não contratar. Meu objetivo na série, além de fazer um bom trabalho, próximo da realidade, era que as pessoas entendessem que essas meninas precisam de uma vida social, precisam ser compreendidas pela sociedade, como eu, você, como todo mundo. Elas têm esse direito. Queria ter a sensibilidade de passar isso para o público de uma forma legal.
iG: Qual foi a sua reação ao se ver caracterizado como mulher?
Murillo Armacollo: Na hora em que me vi caracterizado, tomei um grande susto. Pensei: "To a cara da minha irmã! Só que moreno, porque ela é loira". Foi uma grande alegria, porque a preparação foi muito difícil. Quis fazer o mais delicado e suave possível. Não queria fazer algo grotesco. À partir do momento que me vi como Julie, falei: "Meu Deus, conseguimos!". Foi um alívio e um orgulho. Consegui alcançar a meta que tínhamos traçado para a personagem. 

Foto: Divulgação/TV Globo
Em "O Brado Retumbante", Murilo é filho do presidente Paulo Ventura, personagem de Domingos Montagner
iG: Como você foi recebido pelos atores mais experientes? Como é contracenar com Domingos Montagner e Maria Fernanda Cândido? 
Murilo Armacollo: Tive grande sorte em entrar em um elenco como esse, com feras. É maravilhoso trabalhar com o Domingos, com a Maria Fernanda, com José Wilker. São grandes ídolos meus. Todos eles, elenco e direção, me receberam de uma maneira muito maternal, me deixaram bem tranquilo. A linguagem é muito diferente, não estava acostumado, falei “Gente, to nervoso. Qualquer coisa me ajudem”. Mas todos me trataram muito bem. O trabalho começou direto, de igual pra igual, sem desculpas porque eu era novato.
iG: Outros atores que interpretaram personagens transexuais, ou mesmo gays, já sofreram agressões nas ruas. Tem medo de que aconteça algo semelhante com você? Como é a reação das pessoas nas ruas? 
Murilo Armacollo: Eu não tenho medo porque o trabalho foi bem executado por mim e pela equipe toda. Procurei fazer algo com delicadeza, que obviamente iria chocar, mas de uma maneira delicada e positiva. A reação das pessoas nas ruas é muito boa. Todos elogiam, me param para dizer que meu trabalho está incrível, que estou realmente parecendo uma mulher. Pela delicadeza da personagem, não acredito que vá repelir ninguém, pelo contrário. Até agora recebi muitos e-mails e mensagens no twitter com elogios de transexuais. Nunca tinha tido contato com essas pessoas, não sabia nada sobre o transtorno de identidade de gênero. Tinha medo de representá-las mal, mas acho que consegui fazer um bom trabalho.
iG: Tem medo de ficar marcado com um papel tão forte?
Murilo Armacollo: As pessoas podem, sim, lembrar da Julie, mas não acho que vou ficar marcado. É uma temática com a qual as pessoas não estão acostumadas, mas não tenho medo.

Foto: Reprodução/Facebook
Murilo Armacollo
iG: Você sabe como será o final da sua personagem? Pode adiantar algo? 
Murilo Armacollo: Eu não sei nada do que vai ao ar. Quando gravei minhas cenas, optei por não ver nada. Quero ter a mesma reação do público, me surpreender.
iG: Quais são os seus planos para a carreira?
Murilo Armacollo: O que eu quero é trabalhar. Vou continuar a fazer teatro, que é a minha raiz, mas gostei demais de TV. Espero que daqui para frente consiga outros ótimos papéis, tão difíceis quanto a Julie, pra que eu possa fazer esse trabalho de pesquisa de construção do personagem, que é muito prazeroso.