MC Trans denuncia tratamento desigual na Feira da Diversidade e reacende debate sobre respeito às Artistas Trans.
Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo
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| MC Trans cobra respeito às travestis e denuncia desrespeito e tratamento desigual e reacendem debate sobre a Parada LGBT+ de SP |
A Feira Cultural da Diversidade LGBT+, realizada durante a programação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, voltou a ser alvo de críticas por parte de artistas trans. Desta vez, quem usou as redes sociais para desabafar foram as cantoras e performer MC Trans e MC Xuxu.
Em um vídeo publicado após sua apresentação, a artista demonstrou revolta com a forma como seu trabalho teria sido tratado pela organização do evento. Segundo MC Trans, ela investiu recursos próprios para levar ao palco um espetáculo completo, com banda, balé, músicos, alimentação, ensaios e até artistas convidados vindos do Rio de Janeiro.
"Aprendam a respeitar travestis de uma vez por todas"
declarou a cantora durante o desabafo.
De acordo com MC Trans, após semanas de preparação e investimento financeiro, sua apresentação teria sido reduzida de forma inesperada, causando prejuízos e frustração para toda a equipe envolvida.
A artista também questionou a valorização das travestis dentro dos grandes eventos LGBTQIA+, afirmando que muitas vezes são justamente as artistas trans que contribuem com trabalho, militância e visibilidade, mas acabam recebendo menos reconhecimento.
O episódio reacendeu um debate antigo dentro da comunidade: a participação e o tratamento dado às artistas trans nos eventos oficiais da Parada.
Eu que escrevo essa matéria, sou uma Travesti, confesso que o relato da MC Trans me trouxe lembranças difíceis. Em 2015, vivi uma situação semelhante durante uma apresentação na programação também na Feira da Diversidade da Parada. Na época, eu, Bianca Mahafe e Thalia Mexicana fomos contratadas para realizar um show. Pouco antes da apresentação, o produtor responsável acabou inviabilizando nossa participação ao danificar o material que utilizaríamos no palco.
Nossa sorte foi que o DJ possuía as músicas e conseguimos nos apresentar mesmo diante das dificuldades. Mas o sentimento de desrespeito permaneceu. O mais doloroso era saber que durante todo o ano participávamos das atividades da associação, atuávamos como voluntárias e ajudávamos na construção daquele evento.
Quando finalmente chegava o momento de subir ao palco, parecia que o reconhecimento pelo trabalho realizado desaparecia.
Na ocasião, o diretor artístico acabou sendo afastado posteriormente, mas a sensação de injustiça nunca foi completamente apagada.
Por isso, o desabafo de MC Trans não pode ser tratado apenas como uma reclamação isolada. Ele revela uma discussão que atravessa décadas da história da comunidade LGBTQIA+, a necessidade de garantir transparência, respeito e valorização para as artistas trans que ajudaram a construir os espaços que hoje existem.
Aproveito para informar que também entramos em contato com Heitor Werneck, produtor cultural ligado à organização da programação artística da Feira da Diversidade, para que pudesse apresentar a versão da organização sobre os fatos relatados. Até o momento da publicação desta mensagem, porém, ainda não obtivemos retorno.
Mais do que uma crítica, o que ecoa na fala de MC Trans e MC Xuxu é um pedido por dignidade, reconhecimento e igualdade de tratamento.


Que jornalismo de respeito!
ResponderExcluirAs travestis constroem a base da militância o ano todo e na hora do palco são invisibilizadas.
ResponderExcluirInaceitável que em pleno 2026 a gente ainda veja o apagamento de travestis nos próprios espaços que elas ajudaram a erguer.
ResponderExcluirQue essa denúncia sirva para abrir um diálogo sério sobre a participação das artistas trans nos eventos LGBTQIA+
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