Dirigente da Parada LGBT+ de SP Adriana da Silva, rebate críticas e faz cobrança pública "É fácil criticar, difícil é ajudar"

 As críticas recorrentes dirigidas à Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e à organização da Feirinha Cultural LGBT motivaram um forte desabafo de Adriana da Silva, uma das mais importantes lideranças trans ligadas à história da Parada paulistana. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Adriana questionou a postura de artistas e militantes que, segundo ela, aparecem apenas nos períodos de eventos, mas permanecem ausentes das ações sociais desenvolvidas ao longo do ano.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Dirigente da Parada LGBT+ de SP Adriana da Silva, rebate críticas e faz cobrança pública "É fácil criticar, difícil é ajudar"
Adriana da Silva quebra o silêncio e responde críticas ao movimento trans e LGBTQIA+

A fala surge em meio a debates sobre cachês, contratações artísticas e representatividade nos espaços culturais promovidos pela associação. Sem citar nomes diretamente, Adriana afirmou que algumas críticas partem de pessoas que não participam do trabalho cotidiano realizado junto à população trans em situação de vulnerabilidade.

Segundo ela, a associação mantém atividades permanentes de acolhimento, distribuição de roupas, calçados, alimentos e encaminhamentos sociais para pessoas trans que procuram ajuda diariamente. "É muito fácil criticar nas redes sociais. Difícil é estar presente o ano inteiro ajudando quem precisa", resumiu.

Durante o desabafo, Adriana também defendeu o processo de seleção dos artistas que se apresentam na Feirinha Cultural LGBT, explicando que as escolhas são realizadas por curadores independentes e não por decisão individual da organização. Ela destacou ainda a importância de abrir espaço para novos talentos, especialmente artistas trans da periferia, que historicamente enfrentam maiores dificuldades para acessar oportunidades.

A dirigente fez questão de reconhecer pessoas que, segundo ela, colaboram efetivamente com ações solidárias da comunidade, seja através de doações, apoio material ou participação em projetos sociais. Para Adriana, a militância não pode existir apenas nos discursos ou nas redes sociais, mas precisa se traduzir em ações concretas que impactem a vida das pessoas mais vulneráveis.

25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ acontecerá no dia 4 de junho de 2026

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Mais transparência para a organização, mais diálogo com as artistas e mais oportunidades para novas gerações, sem apagar quem ajudou a construir essa história.

O problema não parece ser apenas sobre cachê ou sobre quem foi chamada para cantar, dublar ou performar. O conflito se repete todos os anos porque existe uma combinação de três fatores:

  1. Falta de transparência no processo de seleção.
  2. Expectativas frustradas de artistas que se sentem parte da história do evento.
  3. Ausência de diálogo permanente entre a organização e a comunidade artística trans.

Uma solução prática poderia ser a criação de um Conselho Consultivo de Artistas Trans, formado por representantes de diferentes gerações e segmentos da comunidade.

Por exemplo:

  • 2 artistas veteranas.
  • 2 artistas da nova geração.
  • 2 representantes da periferia.
  • 1 representante da organização da Parada.
  • 1 representante da Feirinha Cultural.

Esse conselho não escolheria diretamente quem faz show, mas acompanharia o processo para garantir transparência.

Outra medida importante seria publicar anualmente um edital simples explicando:

  • Quantas vagas existem.
  • Quem são os curadores.
  • Quais critérios serão utilizados.
  • Como será feita a avaliação.

Quando as regras são públicas, diminuem as acusações de favorecimento. Também acho que a organização poderia criar uma programação dividida entre:

Artistas históricas

  • Pessoas que construíram a cena LGBT paulistana.

Artistas em ascensão

  • Novos talentos.

Artistas da periferia

  • Prioridade para quem nunca teve oportunidade.

Dessa forma ninguém teria a sensação de que está sendo apagada da história.

E existe um ponto que considero fundamental, separar a crítica legítima do ataque pessoal, eu mesma e amigas em determinado ano, tivemos problemas reais com um produtor artístico e que depois ele foi afastado. Isso mostra que nem toda reclamação é "barraqueira" ou motivada por vaidade. Às vezes existem erros de gestão que precisam ser corrigidos.

Por outro lado, quando a crítica vira uma disputa anual entre as mesmas pessoas, sem propostas concretas, ela acaba desgastando todo mundo e enfraquecendo a própria comunidade.

Como Travesti que acompanha há muitos anos os bastidores do movimento, vejo nesse desabafo uma reflexão necessária. Divergências fazem parte de qualquer comunidade, mas também é importante reconhecer quem permanece na linha de frente quando os holofotes se apagam. A discussão levantada por Adriana não é apenas sobre shows, cachês ou eventos, é sobre compromisso, responsabilidade coletiva e sobre quem continua presente quando a população trans mais precisa de apoio.

Em um cenário onde a exclusão social ainda atinge duramente travestis e mulheres transexuais, a cobrança feita pela ativista reacende um debate fundamental, qual é o papel de cada uma de nós na construção de uma comunidade mais forte, unida e solidária?

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com

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