15 junho, 2026

O Que Realmente Acontece nos Banheiros dos EUA Após as Leis Anti-Trans

Na prática do dia a dia, não existe polícia de banheiro. Colocar um policial ou fiscal na porta de cada banheiro público para checar a certidão de nascimento ou a genitália das pessoas é inviável financeiramente e logisticamente.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Lei proíbe uso de banheiro por mulheres trans
Leis dos Banheiros: Quando o Alvo Não É o Banheiro, Mas as Pessoas Trans
Além disso, os próprios policiais e especialistas em segurança nos EUA apontam que essas leis são praticamente inaplicáveis por dois motivos:

  • Falta de critérios: Como um funcionário de shopping ou um policial vai saber quem é trans e quem é cis? Pela aparência? Isso abre margem para um problema jurídico imenso.

  • Privacidade: Exigir exames ou documentos na porta de um banheiro viola o direito constitucional à privacidade de todos os cidadãos, inclusive das pessoas cisgênero.

Em estados como a Flórida, Utah e, mais recentemente, o Idaho (que aprovou uma das leis mais rígidas, tornando o uso do banheiro um crime com pena de prisão), a lei só costuma ser acionada se houver uma denúncia explícita ou se alguém decidir criar uma confusão deliberada.

O Impacto Real (Onde a lei "funciona")

Embora a polícia não fique caçando pessoas nos banheiros, essas leis mudam o comportamento social e criam um ambiente hostil:

  • Em Escolas e Universidades: É onde a lei é mais aplicada. Diretores, professores e inspetores são obrigados por lei a monitorar os alunos. Se uma estudante trans usar o banheiro feminino na escola, ela pode ser suspensa ou a escola pode ser processada. Isso tem isolado muitos jovens trans, que evitam beber água ou usar o banheiro o dia todo.

  • Prédios Públicos: Em locais do governo (como aeroportos, rodoviárias, bibliotecas e prefeituras), o medo de processos faz com que a segurança seja mais rígida, coagindo mulheres trans a irem para banheiros masculinos (onde ficam expostas a extrema violência) ou a procurarem banheiros unissex/familiares.

  • O "Vigilantismo" da População: O maior efeito dessas leis é dar "autorização" para que pessoas preconceituosas ajam como fiscais por conta própria. Tem aumentado o número de casos de agressões verbais e físicas em banheiros.

O Efeito Colateral nas Mulheres Cisgêneros

Um detalhe irônico e perigoso dessas leis é que elas começaram a atingir mulheres cisgênero (que não são trans).

Mulheres cis com traços considerados mais masculinos, cabelos curtos, estilo tomboy ou mulheres pretas (que muitas vezes fogem do padrão eurocêntrico de feminilidade) começaram a ser expulsas de banheiros femininos nos EUA por pessoas que "achavam" que elas eram mulheres trans. Ou seja, a lei cria uma paranoia estética que prejudica todas as mulheres.

O Que Realmente Acontece nos Banheiros dos EUA Após as Leis Anti-Trans
Pessoas trans enfrentam medo e evitam necessidades básicas.

Resumo da ópera: dizer que essas leis fizeram as pessoas trans desaparecerem dos banheiros é uma falácia. Na prática, muitas continuam usando os espaços normalmente e de forma discreta. O principal efeito dessas medidas é gerar medo, afastar pessoas trans dos espaços públicos e alimentar disputas ideológicas, enquanto problemas sociais e econômicos mais urgentes continuam sem solução.

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com 

14 junho, 2026

Rosana Star resgata foto histórica de Patrícia Araújo quando eleita Miss Brasil Transex

Miss Brasil Transex 2000, Patrícia Araújo marcou uma geração e ajudou a construir a história da visibilidade trans no Brasil.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Do baú da história trans Rosana Star relembra Patrícia Araújo, Miss Brasil Transex 2000
Do baú da história trans Rosana Star relembra Patrícia Araújo, Miss Brasil Transex 2000

Uma publicação feita por Rosana Star nas redes sociais emocionou muitas pessoas da comunidade trans neste fim de semana. A empresária e ativista compartilhou uma foto histórica ao lado de Patrícia Araújo, eleita Miss Brasil Transex 2000 aos 17 anos de idade. 

Rosana Star é CEO, diretora e coordenadora do Miss Brasil Trans, concurso que há anos promove visibilidade, inclusão e valorização de mulheres trans e travestis em todo o Brasil. Na legenda, Rosana relembrou a trajetória da modelo, destacando sua participação em importantes eventos da moda brasileira, como o Fashion Rio, além de trabalhos na televisão e em revistas de grande circulação.

Trans Patrícia Araújo interpretou Priscila, uma das brasileiras vítimas de uma rede de tráfico internacional de pessoas na Turquia. Na novela Salve Jorge (2012)
Patrícia Araújo foi destaque no Fashion Rio em 2009 e também ganhou projeção
na televisão ao interpretar Priscila, uma das brasileiras vítimas de uma rede internacional
de tráfico de pessoas na Turquia, na novela Salve Jorge (2012).
A imagem é mais do que uma recordação. Ela representa uma época em que mulheres trans precisavam enfrentar ainda mais barreiras para conquistar espaço na mídia, na moda e no entretenimento.

Patrícia Araújo foi uma das pioneiras dessa geração. Sua beleza, elegância e representatividade ajudaram a abrir portas para muitas outras mulheres trans que vieram depois.

Ao compartilhar o registro, Rosana Star também contribui para preservar a memória da população trans brasileira, lembrando que a história da nossa comunidade foi construída por mulheres que desafiaram preconceitos e deixaram sua marca em diferentes áreas da sociedade.

Rosana Star resgata foto histórica de Patrícia Araújo quando eleita Miss Brasil Transex
📸 Imagem pertencente ao acervo de Rosana Star.

Em tempos de redes sociais e informação rápida, resgatar essas trajetórias é também uma forma de reconhecer quem ajudou a construir o caminho que muitas pessoas trans percorrem hoje. Antes da internet e da visibilidade de hoje, mulheres trans como Patrícia Araújo já faziam história e abriam caminhos para toda uma geração.

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com

06 junho, 2026

Após revolta de MC Trans, Heitor Werneck apresenta sua versão

Heitor Werneck apresenta sua versão após críticas de MC Trans e MC Xuxu na 25ª Feira Cultural da Diversidade LGBTQIAPN+ 

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Heitor Werneck apresenta sua versão após críticas de MC Trans e MC Xuxu na 25ª Feira Cultural da Diversidade LGBTQIAPN+
Produtor da Feira da Diversidade Heitor Werneck responde acusações e atribui corte de show à ação policial.
Após a repercussão do desabafo feito por MC Trans e MC Xuxu sobre a programação da Feira da Diversidade LGBT+ de São Paulo, o produtor cultural Heitor Werneck apresentou sua versão sobre o ocorrido.

Segundo Heitor, a redução do tempo de apresentação não teria ocorrido por má vontade ou desrespeito às artistas trans, mas por uma determinação das autoridades responsáveis pela segurança do evento.

De acordo com o produtor, a Polícia Militar teria exigido o encerramento das atividades no palco, obrigando a organização a acelerar a programação. Heitor afirmou ainda que tentou encontrar alternativas para que MC Trans tivesse mais espaço e ressaltou que sua intenção sempre foi valorizar artistas trans dentro da Parada.

"Foi a polícia me obrigando. Tentei dar uma saída para a situação. Se tem uma coisa que faço é tentar dar espaço", declarou.

Heitor também afirmou que não nega os transtornos enfrentados pela equipe da artista, mas destacou que a decisão não partiu exclusivamente da produção do evento. Segundo ele, outros artistas também tiveram seus tempos reduzidos para que a programação pudesse ser concluída dentro das exigências impostas naquele momento.

A manifestação do produtor surge após as fortes críticas feitas por MC Trans nas redes sociais. A artista afirmou ter investido recursos próprios para levar uma grande estrutura ao palco, incluindo músicos, bailarinos e artistas convidados, e demonstrou indignação ao ver sua apresentação ser reduzida.

O episódio acabou gerando um amplo debate nas redes sociais sobre valorização, respeito e espaço para artistas trans dentro dos eventos ligados à comunidade LGBTQIA+.

Enquanto MC Trans e MC Xuxu relatam frustração com o ocorrido, a versão apresentada por Heitor Werneck aponta que fatores externos e questões de segurança pública também influenciaram diretamente o desfecho da programação.

O Mundo T-Girl ouviu os dois lados da situação. O posicionamento de Heitor Werneck foi publicado em respeito ao direito de resposta. Seguimos defendendo o diálogo, a transparência e, acima de tudo, o respeito às artistas trans e travestis que ajudaram a construir a história da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil.

O caso evidencia a necessidade de diálogo entre artistas e organização para que situações semelhantes possam ser evitadas nos próximos anos.



Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com

05 junho, 2026

Revolta na Feira da Parada LGBT de SP MC Trans Denuncia Desrespeito e Tratamento Desigual

MC Trans denuncia tratamento desigual na Feira da Diversidade e reacende debate sobre respeito às Artistas Trans.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Revolta na Feira da Parada de SP MC Trans Denuncia Desrespeito e Tratamento Desigual
MC Trans cobra respeito às travestis e denuncia desrespeito e tratamento
desigual e reacendem debate sobre a Parada LGBT+ de SP

A Feira Cultural da Diversidade LGBT+, realizada durante a programação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, voltou a ser alvo de críticas por parte de artistas trans. Desta vez, quem usou as redes sociais para desabafar foram as cantoras e performer MC Trans e MC Xuxu.

Em um vídeo publicado após sua apresentação, a artista demonstrou revolta com a forma como seu trabalho teria sido tratado pela organização do evento. Segundo MC Trans, ela investiu recursos próprios para levar ao palco um espetáculo completo, com banda, balé, músicos, alimentação, ensaios e até artistas convidados vindos do Rio de Janeiro.

"Aprendam a respeitar travestis de uma vez por todas" 

declarou a cantora durante o desabafo.

De acordo com MC Trans, após semanas de preparação e investimento financeiro, sua apresentação teria sido reduzida de forma inesperada, causando prejuízos e frustração para toda a equipe envolvida.

A artista também questionou a valorização das travestis dentro dos grandes eventos LGBTQIA+, afirmando que muitas vezes são justamente as artistas trans que contribuem com trabalho, militância e visibilidade, mas acabam recebendo menos reconhecimento.

O episódio reacendeu um debate antigo dentro da comunidade: a participação e o tratamento dado às artistas trans nos eventos oficiais da Parada.

Eu que escrevo essa matéria, sou uma Travesti, confesso que o relato da MC Trans me trouxe lembranças difíceis. Em 2015, vivi uma situação semelhante durante uma apresentação na programação também na Feira da Diversidade da Parada. Na época, eu, Bianca Mahafe e Thalia Mexicana fomos contratadas para realizar um show. Pouco antes da apresentação, o produtor responsável acabou inviabilizando nossa participação ao danificar o material que utilizaríamos no palco.

Nossa sorte foi que o DJ possuía as músicas e conseguimos nos apresentar mesmo diante das dificuldades. Mas o sentimento de desrespeito permaneceu. O mais doloroso era saber que durante todo o ano participávamos das atividades da associação, atuávamos como voluntárias e ajudávamos na construção daquele evento.

Quando finalmente chegava o momento de subir ao palco, parecia que o reconhecimento pelo trabalho realizado desaparecia.

Na ocasião, o diretor artístico acabou sendo afastado posteriormente, mas a sensação de injustiça nunca foi completamente apagada.

Por isso, o desabafo de MC Trans não pode ser tratado apenas como uma reclamação isolada. Ele revela uma discussão que atravessa décadas da história da comunidade LGBTQIA+, a necessidade de garantir transparência, respeito e valorização para as artistas trans que ajudaram a construir os espaços que hoje existem.

Aproveito para informar que também entrei em contato com Heitor Werneck, produtor cultural ligado à organização da programação artística da Feira da Diversidade, para que pudesse apresentar a versão da organização sobre os fatos relatados. Até o momento desta publicação, ainda não obtivemos retorno.

Mais do que uma crítica, o que ecoa na fala de MC Trans e MC Xuxu é um pedido por dignidade, reconhecimento e igualdade de tratamento.

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

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04 junho, 2026

Drama de Gretta Star, aos 70 Anos, faz Apelo Urgente e Denuncia Abandono das Artistas Veteranas

Pioneira da cena LGBTQIA+ brasileira pede apoio após receber pedido para deixar apartamento onde vive há 25 anos e critica a falta de reconhecimento às artistas que abriram caminhos para novas gerações.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Drama de Gretta Star, aos 70 Anos, faz Apelo Urgente e Denuncia Abandono das Artistas Veteranas
Após 50 anos de carreira, Gretta Star ícone da noite paulistana pede ajuda para recomeçar.

Uma das grandes pioneiras da cena LGBTQIA+ brasileira, Gretta Star emocionou seguidores ao fazer um desabafo nas redes sociais sobre os desafios que enfrenta neste momento da vida. Aos 70 anos, a artista revelou que precisará deixar o apartamento onde mora há cerca de 25 anos, após o proprietário informar que pretende vender o imóvel.

Em um vídeo sincero, Gretta contou que recebeu a notícia de forma inesperada e que agora precisa encontrar um novo lugar para recomeçar. Apesar do susto, a artista demonstrou força e disposição para seguir em frente. Segundo ela, a mudança também representa uma oportunidade de renovar a vida e deixar para trás objetos e lembranças que já não fazem mais sentido em sua trajetória.

Além da questão da moradia, Gretta também chamou atenção para a realidade financeira enfrentada por muitas artistas trans e transformistas veteranas. Ela criticou a falta de valorização de profissionais que ajudaram a construir a história da comunidade LGBTQIA+ no Brasil, mas que hoje recebem cachês baixos e, muitas vezes, precisam esperar meses para receber pelos trabalhos realizados durante os eventos da Parada do Orgulho LGBT.

Conhecida por décadas de dedicação aos palcos, à maquiagem profissional e à arte, Gretta Star é considerada uma referência para várias gerações. Seu relato não fala apenas de uma dificuldade pessoal, mas também expõe uma realidade vivida por muitas artistas que abriram caminhos e ajudaram a construir os espaços de visibilidade que existem atualmente.

Ao final, Gretta pediu apoio aos seguidores, tanto na busca por um novo apartamento quanto na divulgação de oportunidades de trabalho. Seu desabafo reforça um debate importante, como cuidar e valorizar quem ajudou a construir a história da nossa comunidade e continua resistindo com dignidade, talento e coragem.

Quem desejar apoiar Gretta Star neste momento de recomeço pode contribuir por meio da chave PIX:

📌 PIX: 11 99437-9428

Além das contribuições financeiras, Gretta também busca indicações de apartamentos pequenos ou estúdios para alugar na cidade de São Paulo. Toda ajuda, compartilhamento e divulgação fazem a diferença neste momento.

Nossas pioneiras merecem respeito, reconhecimento e apoio não apenas nos aplausos, mas também nos momentos mais difíceis. ❤️🏳️‍⚧️

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

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01 junho, 2026

Dirigente da Parada LGBT+ de SP Adriana da Silva, rebate críticas e faz cobrança pública "É fácil criticar, difícil é ajudar"

 As críticas recorrentes dirigidas à Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e à organização da Feirinha Cultural LGBT motivaram um forte desabafo de Adriana da Silva, uma das mais importantes lideranças trans ligadas à história da Parada paulistana. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Adriana questionou a postura de artistas e militantes que, segundo ela, aparecem apenas nos períodos de eventos, mas permanecem ausentes das ações sociais desenvolvidas ao longo do ano.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Dirigente da Parada LGBT+ de SP Adriana da Silva, rebate críticas e faz cobrança pública "É fácil criticar, difícil é ajudar"
Adriana da Silva quebra o silêncio e responde críticas ao movimento trans e LGBTQIA+

A fala surge em meio a debates sobre cachês, contratações artísticas e representatividade nos espaços culturais promovidos pela associação. Sem citar nomes diretamente, Adriana afirmou que algumas críticas partem de pessoas que não participam do trabalho cotidiano realizado junto à população trans em situação de vulnerabilidade.

Segundo ela, a associação mantém atividades permanentes de acolhimento, distribuição de roupas, calçados, alimentos e encaminhamentos sociais para pessoas trans que procuram ajuda diariamente. "É muito fácil criticar nas redes sociais. Difícil é estar presente o ano inteiro ajudando quem precisa", resumiu.

Durante o desabafo, Adriana também defendeu o processo de seleção dos artistas que se apresentam na Feirinha Cultural LGBT, explicando que as escolhas são realizadas por curadores independentes e não por decisão individual da organização. Ela destacou ainda a importância de abrir espaço para novos talentos, especialmente artistas trans da periferia, que historicamente enfrentam maiores dificuldades para acessar oportunidades.

A dirigente fez questão de reconhecer pessoas que, segundo ela, colaboram efetivamente com ações solidárias da comunidade, seja através de doações, apoio material ou participação em projetos sociais. Para Adriana, a militância não pode existir apenas nos discursos ou nas redes sociais, mas precisa se traduzir em ações concretas que impactem a vida das pessoas mais vulneráveis.

25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ acontecerá no dia 4 de junho de 2026

25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ acontecerá no dia 4 de junho de 2026 

Nossa Analise e Solução dessa Situação

Mais transparência para a organização, mais diálogo com 
as artistas e mais oportunidades para novas gerações, 
sem apagar quem ajudou a construir essa história.

O problema não parece ser apenas sobre cachê ou sobre quem foi chamada para cantar, dublar ou performar. O conflito se repete todos os anos porque existe uma combinação de três fatores:

  1. Falta de transparência no processo de seleção.
  2. Expectativas frustradas de artistas que se sentem parte da história do evento.
  3. Ausência de diálogo permanente entre a organização e a comunidade artística trans.

Uma solução prática poderia ser a criação de um Conselho Consultivo de Artistas Trans, formado por representantes de diferentes gerações e segmentos da comunidade.

Por exemplo:

  • 2 artistas veteranas.
  • 2 artistas da nova geração.
  • 2 representantes da periferia.
  • 1 representante da organização da Parada.
  • 1 representante da Feirinha Cultural.

Esse conselho não escolheria diretamente quem faz show, mas acompanharia o processo para garantir transparência.

Outra medida importante seria publicar anualmente um edital simples explicando:

  • Quantas vagas existem.
  • Quem são os curadores.
  • Quais critérios serão utilizados.
  • Como será feita a avaliação.

Quando as regras são públicas, diminuem as acusações de favorecimento. Também acho que a organização poderia criar uma programação dividida entre:

Artistas históricas

  • Pessoas que construíram a cena LGBT paulistana.

Artistas em ascensão

  • Novos talentos.

Artistas da periferia

  • Prioridade para quem nunca teve oportunidade.

Dessa forma ninguém teria a sensação de que está sendo apagada da história.

E existe um ponto que considero fundamental, separar a crítica legítima do ataque pessoal, eu mesma e amigas em determinado ano, tivemos problemas reais com um produtor artístico e que depois ele foi afastado. Isso mostra que nem toda reclamação é "barraqueira" ou motivada por vaidade. Às vezes existem erros de gestão que precisam ser corrigidos.

Por outro lado, quando a crítica vira uma disputa anual entre as mesmas pessoas, sem propostas concretas, ela acaba desgastando todo mundo e enfraquecendo a própria comunidade.

Como Travesti que acompanha há muitos anos os bastidores do movimento, vejo nesse desabafo uma reflexão necessária. Divergências fazem parte de qualquer comunidade, mas também é importante reconhecer quem permanece na linha de frente quando os holofotes se apagam. A discussão levantada por Adriana não é apenas sobre shows, cachês ou eventos, é sobre compromisso, responsabilidade coletiva e sobre quem continua presente quando a população trans mais precisa de apoio.

Em um cenário onde a exclusão social ainda atinge duramente travestis e mulheres transexuais, a cobrança feita pela ativista reacende um debate fundamental, qual é o papel de cada uma de nós na construção de uma comunidade mais forte, unida e solidária?

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com

Pagina Trans Brasileiras lança nova Abertura inspirada na História e na Força da Visibilidade Trans

Depois de anos preservando memórias, registrando trajetórias e construindo um dos mais importantes acervos digitais sobre a população trans brasileira, a página Travestis e Transexuais Brasileiras apresenta ao público sua nova abertura oficial para vídeos e conteúdos publicados nas redes sociais.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Nossa escolha foi extremamente seletiva para homenagear grandes ícones da travestilidade e da transexualidade que brilham e fazem história no nosso país.

Presente desde os tempos das comunidades do Orkut, a página atravessou gerações acompanhando transformações sociais, culturais e políticas que marcaram a vida de travestis e mulheres transexuais no Brasil. Mais do que um espaço virtual, tornou-se um arquivo vivo da nossa história, reunindo imagens, relatos e registros que ajudam a preservar a memória da população trans brasileira.

A nova vinheta surge justamente desse compromisso com a memória e a representatividade. Inspirada visualmente em elementos clássicos da televisão brasileira, a produção faz uma releitura contemporânea da icônica abertura da novela "Vale Tudo", combinada com referências da série "As Brasileiras", exibida pela Rede Globo. O resultado é uma homenagem à identidade nacional, à diversidade e ao protagonismo trans.

A escolha das imagens não foi simples. Em tempos de comunicação rápida e redes sociais cada vez mais dinâmicas, surgiu um desafio importante: como representar décadas de luta, conquistas e visibilidade em poucos segundos?

Após um cuidadoso processo de seleção realizado a partir do extenso acervo da página, foram escolhidas personalidades que simbolizam diferentes momentos da travestilidade e da transexualidade brasileira. Mulheres que abriram caminhos, desafiaram preconceitos e ajudaram a construir a história da nossa comunidade.

Buscamos referências no que o audiovisual brasileiro tem de mais icônico, fazendo uma releitura que mescla o dinamismo da novela Vale Tudo com a força do seriado As Brasileiras

Entre os nomes homenageados estão a criadora de conteúdo Andressa Saint Clair Barbie, a Miss Brasil Transex 2002 Aleika Barros, a modelo internacional Lea T, a atriz Gabriela Loran, a eterna rainha e madrinha de bateria Camila Prins, a deputada federal Erika Hilton, a supermodelo Roberta Close e, em uma emocionante homenagem póstuma, a atriz e modelo Patrícia Araújo.

A presença dessas mulheres na nova identidade visual representa muito mais do que beleza ou reconhecimento público. Representa resistência, coragem, talento e a capacidade de transformar realidades através da visibilidade positiva.

Em um cenário onde ainda enfrentamos desafios relacionados ao preconceito e à exclusão, iniciativas que valorizam nossa história tornam-se fundamentais. Registrar quem somos, de onde viemos e quem abriu caminhos antes de nós é uma forma de garantir que as futuras gerações conheçam suas referências e compreendam a importância da nossa trajetória coletiva.

A nova abertura da página Travestis e Transexuais Brasileiras é, acima de tudo, uma celebração da memória trans brasileira. Uma homenagem às pioneiras, às contemporâneas e às que ainda virão. Porque nossa história merece ser contada, preservada e reconhecida.

Assista, compartilhe e celebre com a gente. Porque nós merecemos o mundo! 

Observação: Informamos que, por questões de direitos autorais, a canção Brasil será utilizada exclusivamente no vídeo de divulgação da nossa nova vinheta. A homenagem será publicada com essa música tão emblemática da cultura brasileira. No entanto, nos demais vídeos, matérias e conteúdos jornalísticos da página, utilizaremos uma trilha sonora própria, criada especialmente para esse projeto, com uma sonoridade tipicamente brasileira e sem restrições de direitos autorais.

Dessa forma, preservamos a homenagem que desejamos prestar, ao mesmo tempo em que garantimos a continuidade e a segurança jurídica de nossas publicações em todas as plataformas.

E enquanto existirem pessoas dispostas a manter viva essa memória, nenhuma de nossas conquistas será esquecida. Essa vinheta é nossa. É a celebração da nossa visibilidade positiva, da nossa beleza e do nosso topo! 🏳️‍⚧️✊🏻✊🏼✊🏽✊🏾✊🏿

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com