10 abril, 2026

Mulher Trans garante direito de teste físico feminino em concurso da PM em Santa Catarina

Uma decisão da Justiça de Santa Catarina reacendeu o debate sobre identidade de gênero e acesso igualitário a concursos públicos no Brasil. Dannyele Catherine de Barradas Oliveira conquistou na Justiça o direito de realizar o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso da Polícia Militar com critérios femininos, após ter sido convocada inicialmente para cumprir os parâmetros masculinos.

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Mulher Trans garante direito de teste físico feminino em concurso da PM em Santa Catarina
A decisão judicial considerou que, embora a candidata ainda não tenha feito a retificação do registro civil, ela apresentou documentos médicos que comprovam sua identidade de gênero, incluindo acompanhamento por disforia de gênero e procedimentos de redesignação corporal. Para o magistrado responsável pelo caso, exigir que a candidata realizasse o teste físico sob critérios masculinos configuraria um tratamento potencialmente discriminatório.

O entendimento também dialoga com decisões do Supremo Tribunal Federal, que já reconheceu a identidade de gênero como um direito fundamental da personalidade, não podendo ser limitada por exigências burocráticas que esvaziem esse reconhecimento na prática.

Na decisão, o desembargador destacou ainda que o edital do concurso permite o uso do nome social por pessoas trans, mas não estabelece regras específicas para a realização do teste físico. Essa lacuna, segundo ele, acaba gerando um enquadramento automático nos critérios masculinos, o que pode resultar na exclusão indevida de candidatas trans.

A determinação judicial não dispensa Catherine de realizar o teste físico, mas garante que ele seja feito em condições compatíveis com sua identidade de gênero, assegurando igualdade de participação no processo seletivo.

Em manifestação nas redes sociais, Catherine comemorou a decisão e relatou que enfrentou altos custos ao longo de sua trajetória, incluindo procedimentos médicos e acompanhamento especializado. Ela afirmou que a exposição pública do caso evidencia os desafios ainda enfrentados por pessoas trans em diferentes espaços institucionais.

Procurada, a Polícia Militar de Santa Catarina informou que a convocação seguiu os dados constantes no documento oficial apresentado pela candidata no momento da inscrição. A corporação afirmou ainda que seguirá as determinações da Justiça e que novas informações só serão divulgadas após a conclusão do concurso, que ainda está em andamento.

O caso reforça um debate cada vez mais presente no país: o de como instituições públicas podem garantir que pessoas trans tenham acesso real e digno aos espaços de trabalho e serviço público, sem que sua identidade seja tratada como obstáculo.

Mais do que uma decisão individual, a vitória judicial de Catherine também representa um passo importante na luta por respeito, reconhecimento e igualdade de oportunidades para a população trans brasileira.

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com


Retratação histórica Organização reconhece a Primeira Parada Trans na Paulista

Retratação histórica recoloca a Parada Trans de 2003 no lugar que sempre foi seu.

Travestis e Transexuais ocuparam o Masp e Avenida Paulista no ano de 2003
A história do movimento trans em São Paulo ganhou, nos últimos dias, um importante gesto de reconhecimento público. A atual organização da Parada Trans de São Paulo publicou uma nota oficial de retratação, reconhecendo que a primeira Parada Trans realizada na Avenida Paulista, em 2003, foi organizada pela Coordenadoria Trans, que à época integrava a estrutura da Parada do Orgulho LGBT da cidade.

Após resgate histórico, Parada Trans 
reconhece primeira mobilização de 2003
Atual Organização da Parada Trans emitiram uma nota de reconhecimento (Foto: @paradatsp)

A manifestação daquele ano representou um marco político para a População Trans em um período ainda marcado por intensa marginalização, violência e invisibilidade. Travestis e Transexuais ocuparam um dos espaços mais simbólicos do país para reivindicar direitos básicos, como trabalho, dignidade, respeito e cidadania.

Na nota divulgada nas redes sociais, a organização reconheceu que, por falta de acesso a registros históricos no momento em que construiu sua narrativa institucional, a informação sobre o ato de 2003 não havia sido considerada anteriormente. A retratação afirma que a ausência desse reconhecimento gerou um apagamento involuntário de um momento fundamental da trajetória do Movimento Trans na cidade.

O texto também ressalta que a memória da comunidade trans é construída por vidas, corpos e histórias que enfrentaram contextos extremamente adversos para abrir caminhos às gerações seguintes. “A memória da nossa comunidade é sagrada”, afirma a nota, reforçando que não existe futuro possível sem o reconhecimento íntegro do passado.

Imagem da Primeira Parada Trans realizada na Avenida Paulista em 2003
Imagem da Primeira Parada Trans realizada na Avenida Paulista em 2003

A organização ainda agradeceu publicamente à página Travestis e Transexuais Brasileiras, responsável por resgatar registros históricos e trazer novamente à luz a existência da mobilização realizada em 2003.

O reconhecimento marca um momento importante para a preservação da memória do movimento trans. Mais do que um simples ajuste histórico, trata-se de um gesto que reafirma a importância de honrar quem esteve na linha de frente quando quase não havia espaço, voz ou proteção para a população trans no Brasil.

Relembrar a Parada Trans de 2003 é também reconhecer que a história do movimento não começou agora. Ela foi construída por muitas mãos, muitas coragens e muitas resistências.

E, como mostram os registros que voltam a circular, essa história continua viva sendo escrita por quem abriu caminhos ontem e por quem segue caminhando hoje.

História reconhecida: organização da Parada Trans admite marco de 2003
História reconhecida organização da Parada Trans admite marco de 2003

A história continua, imagens 
da Parada Trans deste domingo

Da memória à continuidade: a Parada Trans segue ocupando as ruas
Quem abriu caminho ontem inspira a Parada Trans do ultimo domingo (Fotos: @paradatsp)
Retratação histórica Organização reconhece a Primeira Parada Trans na Paulista
Da memória à continuidade a Parada Trans segue ocupando Av: Paulista (Foto: @paradatsp)

As imagens registram a Parada Trans realizada no último domingo, reafirmando a continuidade de uma história construída com luta, memória e resistência. Atualmente, o evento é organizado por Bianca Soares, conhecida do público por sua participação no reality Casa dos Artistas no SBT, que hoje está à frente da mobilização que reúne a Comunidade Trans nas ruas de São Paulo. A manifestação mostrou que, mais de duas décadas depois, o espírito de visibilidade, orgulho e reivindicação que marcou 2003 segue vivo em 2026.

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com


06 abril, 2026

Primeira Parada Trans na Avenida Paulista aconteceu em 2003

Primeira Parada das Travestis e Transexuais na Avenida Paulista aconteceu no ano de 2003, apontam registros históricos. Ativistas que fizeram parte, denunciam apagamento da memória do Movimento Trans e reforçam importância de reconhecer a trajetória construída ao longo das décadas.

Primeira Parada das Trans na Avenida Paulista aconteceu em 2003
Primeira Parada das Trans na Avenida Paulista aconteceu em 2003 

A memória histórica do Movimento Trans em São Paulo voltou ao centro do debate após declarações recentes que passaram a atribuir a criação da primeira Parada Trans da cidade a iniciativas atuais. Ativistas e pessoas que participaram diretamente da organização do movimento afirmam que a primeira Parada das Travestis e Transexuais realizada na Avenida Paulista aconteceu no ano de 2003, como parte da estrutura organizativa da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

Segundo relatos e registros da época, a mobilização foi organizada pela Coordenadoria das Trans da própria Parada LGBT, que naquele período estruturava frentes específicas dentro do movimento para ampliar a visibilidade de diferentes identidades da comunidade LGBTQIA+.

A iniciativa representou um momento simbólico e político importante: travestis e mulheres trans ocuparam o espaço público da Avenida Paulista com pautas próprias, reivindicando direitos, respeito, cidadania e reconhecimento social.

Travestis e Transexuais ocuparam o Masp e Avenida Paulista no ano de 2003
Travestis e Transexuais ocuparam o Masp e Avenida Paulista no ano de 2003
Participantes da época afirmam que preservar essa memória é fundamental para compreender a trajetória do movimento. Para elas, o reconhecimento histórico não impede o surgimento de novas mobilizações, mas exige responsabilidade com os fatos e com as pessoas que participaram da construção dessas lutas.

“Apagar esse registro significa ignorar o trabalho e a coragem de muitas travestis e mulheres trans que enfrentaram preconceito e violência para garantir visibilidade política naquele momento”, afirma Luanna que acompanham o debate nas redes sociais.

Especialistas e militantes destacam que a preservação da memória do movimento é parte essencial da própria luta por direitos, pois permite reconhecer as trajetórias coletivas que abriram caminho para conquistas atuais.

Para integrantes do movimento, o debate atual reforça uma mensagem central, novas iniciativas são importantes e devem ser celebradas, mas sem que isso signifique apagar ou reescrever a história já registrada.

Mulheres Trans e Travestis ocuparam o Masp e Avenida Paulista no ano de 2003 na Primeira Parada Trans

Celebrar novas mobilizações é importante, mas sem apagar quem veio antes. A história da travestilidade e da transexualidade em São Paulo é coletiva, construída por muitas mãos, vozes e corpos ao longo dos anos.” Relatou em nota de Repúdio na pagina Travestis e Transexuais Brasileiras no Facebook. 

Com a recente recuperação de nosso acervo de fotografias e registros, reafirmamos a importância de preservar a memória de um marco significativo da história do movimento Trans em São Paulo. No ano de 2003, aconteceu a Primeira Parada Trans realizada na Avenida Paulista, organizada pela Coordenadoria das Trans que, naquele período, integrava a estrutura da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

A iniciativa representou um momento histórico de visibilidade, organização política e afirmação das identidades Trans dentro do movimento LGBTQIA+. Em um período em que a presença de Travestis e Transexuais que enfrentava fortes barreiras sociais e institucionais, ocupar simbolicamente um dos espaços mais emblemáticos da cidade foi um ato de coragem, articulação e resistência. A Coordenadoria Trans desempenhou, naquele início dos anos 2000, um papel importante na construção de pautas específicas da População Trans, atuando na defesa de direitos, no enfrentamento à discriminação, transfobia e na ampliação da participação política dentro do movimento.

Travestis e Transexuais ocuparam o Masp e Avenida Paulista no ano de 2003 na Primeira Parada Trans
Travestis e Transexuais ocuparam o Masp e Avenida Paulista no ano de 2003
Nosso acervo de fotografias ajudam a documentar e preservar essa memória coletiva, registrando a presença de ativistas, militantes e participantes que contribuíram para fortalecer a luta por respeito, cidadania e reconhecimento. Relembrar e divulgar esses registros não tem como objetivo estabelecer disputas, mas valorizar a trajetória histórica das Travestis e Transexuais que ajudaram a construir caminhos de visibilidade e organização política em São Paulo.

A memória do movimento é feita de muitos momentos, iniciativas e pessoas. Registrar esses acontecimentos é uma forma de honrar quem participou dessas lutas e de manter viva a história da nossa comunidade. Porque Memória e História também é Ato de Resistência. 

Homem armado dispara e ameaça Pessoas Trans em Dourados

 Violência contra pessoas trans termina com prisão após perseguição policial em Dourados (MS)

Por Luciana Kimberly Dias do Mundo T em São Paulo

Na noite deste domingo (5), um homem de 49 anos foi preso em flagrante após uma sequência de crimes envolvendo disparos de arma de fogo, ameaças contra Pessoas Trans e direção perigosa na cidade de Dourados.

De acordo com informações registradas na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário, a Polícia Militar foi acionada por volta das 22h50 após denúncias de que um homem, conduzindo um Volkswagen Gol branco, estaria efetuando disparos de arma de fogo e ameaçando Pessoas Trans em uma área conhecida da cidade, no bairro Jardim Clímax.

Ao chegarem nas proximidades, os policiais foram abordados por um motorista de aplicativo que confirmou as denúncias. Duas pessoas trans que estavam no local, visivelmente assustadas com a situação, indicaram aos agentes a direção tomada pelo suspeito.

Durante as buscas, o veículo foi localizado na rua Aquidauana. Segundo a ocorrência, ao perceber a aproximação policial, o motorista teria apontado um revólver em direção aos agentes. Diante da ameaça, os policiais reagiram efetuando dois disparos. O suspeito então iniciou uma fuga em alta velocidade, desobedecendo às ordens de parada e colocando em risco outros motoristas e pedestres.

A perseguição se estendeu por diversas ruas de Dourados até que, no cruzamento das ruas Major Capilé e Caiuás, uma viatura policial tentou interceptar o veículo. Devido à velocidade, o condutor colidiu contra a lateral da viatura, perdeu o controle do carro, bateu em uma árvore e acabou capotando.

Após o acidente, o homem foi retirado do veículo, algemado e preso. Dentro do carro, os policiais localizaram um revólver da marca Rossi com seis munições, sendo três já deflagradas e três intactas.

O suspeito apresentava ferimentos no supercílio e no ombro esquerdo em decorrência do acidente e foi encaminhado à delegacia para os procedimentos legais.

A polícia retornou ao local inicial da ocorrência na tentativa de localizar as pessoas trans ameaçadas, porém elas já não estavam mais na região.

O caso foi registrado como desobediência, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disparo de arma de fogo e dano.

Foto Primeira Página

Violência contra Pessoas Trans:
Casos como este reforçam a realidade de insegurança que ainda atinge a população trans no Brasil. A presença de violência e intimidação em espaços públicos demonstra a urgência de políticas de proteção e respeito à diversidade.

Kimberly é uma Blogueira, Criadora de Conteúdos e Travesti, natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, Voluntária na militância pelos Direitos, Cidadania e Visibilidade Positiva das Travestis e Transexuais em Redes Sociais. 

✉ Contato: luciana.kimberly@yahoo.com